Cotidiano

De mochileira à cicloturista – Viajando pelo Brasil

Escrito por Aline Vasconcellos

Desde 2015 sou mochileira, e descobrir a possibilidade de viajar de carona naquela época foi transformador. Me abriu novos horizontes, me colocou em contato com um mundo novo, me ensinou mais sobre mim, a me conectar com minha intuição e me possibilitou na época a mudar de cidade usando esse modo de viajar.

Desde então não me via viajando de outra forma, sempre que tinha um tempinho lá ia eu de mochila nas costas e plaquinha na mão conhecer o próximo destino.

BR-376 próximo a Curitiba/PR

Minha experiência em viajar de carona dentro do Brasil sempre foi feliz, encontrando pessoas de bem no caminho, dispostas a auxiliar. Vi muitas histórias de viajantes como eu, de carona, no dedão, plaquinhas, pedindo caronas a caminhoneiros nas BR’s desse nosso país, dando muito certo! E isso só me encorajava a ir mais longe.

No caminho sempre era questionada: Você não tem medo? Não é perigoso? Mas sozinha? A reposta era sempre: tenho mais força de vontade, e coragem, que medo. Riscos? Sei que existem, mas a fé de que quando estamos vibrando positivo o universo conspira para nos devolver coisas boas, era maior.

Posso dizer dos 11mil km, 6 estados, 23 cidades e 55 caronas, entre carros pequenos e caminhões, tiveram muitas vezes que o inacreditável aconteceu e em meu coração eu apenas agradecia. De todas essas 55 caronas, tiveram apenas 3 episódios um pouco inconvenientes de cantadas intermináveis, o que me faz crer que o risco vale a pena e que a experiência é bem mais positiva.

Melanie, que nos deu carona em sua kombi, uma suiça viajando com seu cão pela América do Sul.

E quando pensei que não teria como ser melhor,  o cicloturismo entrou em minha vida. Em setembro de 2016 comprei uma bike para me exercitar, perder a barriga e me locomover em Floripa. E de forma despretensiosa pedalava em média de 6 a 10km, 3 vezes por semana. Foi quando um amigo me contou de sua experiência de viagem, 8 meses de bike pela América do Sul, sem muito preparo, experiência ou recurso, apenas força do querer. Logo me encantei, vi que o cicloturismo era para mim, um modo de viajar fascinante, onde você vai no teu tempo, pois não está preocupado com a chegada, o caminho nesse caso é bem mais importante.

Cicloturismo é viajar de bike, não se preocupando com velocidades, resistência e recordes, pois se vai a longa distâncias, uma pedalada por vez, devagar e sempre, buscando desafio, recreação, conhecimento.

Rogério, meu amigo que me apresentou o cicloturismo, e eu à beira da Lagoa da Cruz, Barra do Itapocu-SC

Em fevereiro desse ano saí para minha primeira cicloviagem, onde fiz o trajeto de Floripa-SC à Ilha do Mel-PR, 322km em uma semana de estrada. Foi cativante! A liberdade que a bike traz é incrível, é estar ali presente, fazendo seu caminho, parando para ver o que te chama atenção, vendo os detalhes, se percebendo introspectivo em uma viagem interna em meio aos lugares.

Externamente a bike se torna o meio de atrair pessoas, sempre que chegava as localidades alguém se aproximava para saber mais sobre o que estava fazendo. Sem contar na imensa rede invisível, mas real, que existe de ciclista e cicloturista que imediatamente conecta as pessoas através da bike.

Fortaleza Nossa Senhora dos Prazeres Ilha do Mel – Paraná

A viagem foi animadora me senti vitoriosa ao chegar à Ilha do Mel. Mas era hora de voltar, e como fui bem ensinada por esse amigo, Cicloturismo só vai para frente… e para voltar à Floripa, optei em tentar carona mesmo com a bike. E com apenas 3 caronas cheguei à Floripa! Quase não pude acreditar, a felicidade não cabia em mim, senti que havia encontrado o melhor modo de viajar, ao menos para mim, por enquanto.

Agora me preparo para fazer mais uma grande viagem, o desafio dessa vez é percorrer a America do Sul (8 países) em cima de uma magrela, aliado a caronas. Então vem muitas historias por aí…

Sobre o autor

Aline Vasconcellos

Mineira, 26 anos, apaixonada pelo mar. Prazer de estar em novos lugares, na natureza e de uma boa prosa com as pessoas pra ouvir suas histórias​.
Mochileira, Cicloturista, Engenheira Civil de formação, Fotógrafa de coração e no momento viajante por paixão. Geminiana em constante transformação. Sou eu, um pouco de você e dos lugares por onde passo.

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