Saúde e Estética

A função da cirurgia plástica e como escolher seu cirurgião

Escrito por Bárbara Brandão

Estamos vivendo numa sociedade em que as informações e as desinformações se cruzam com muita frequência. É preciso estar atento às notícias e saber interpretá-las de maneira crítica para não tomar como verdade algo que aparecer nas mídias sociais, nos sites ou televisão sem antes parar para analisá-la com calma: será que este fato é mesmo verdade? Como se deu este fato? Quem foram os envolvidos? Toda a classe deve ser alvo de desconfiança após os erros de alguns?

Vivenciamos isso com grande repercussão após o escândalo da carne fraca. O Brasil sempre contou com uma boa reputação no que diz respeito a criação e comercialização da carne mundialmente e agora muitos produtores sérios estão sofrendo com as mazelas provocadas por alguns poucos.

Esta analogia pode ser aplicada em todas as profissões, mas hoje venho a analisar a profissão do cirurgião plástico.

A cirurgia plástica foi criada a princípio com nobre tarefa de reconstruir qualquer parte da superfície do corpo humano que tenha sofrido alguma injúria ou deformidade congênita que gere prejuízo tanto funcional como estético. Teve seu desenvolvimento mais intenso após a segunda guerra mundial para tratar as sequelas dos combatentes e vítimas desse período.

A finalidade estética vem se firmando principalmente a partir dos anos 1960, com importantes nomes nacionais e internacionais, que tem como exemplo o Professor Ivo Pitanguy, que nos deixou recentemente, porém suas técnicas operatórias perpetuam entre os cirurgiões plásticos do mundo inteiro com mais força do que nunca.

Para se formar um cirurgião plástico são necessários cerca de 11 anos, no mínimo. A primeira etapa é a graduação em medicina com duração de 6 anos, depois é necessário cumprir 2 a 3 anos de residência em cirurgia geral e 3 anos de residência em cirurgia plástica. Após esses pré-requisitos os  cirurgiões habilitados passam pela avaliação da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que conta de 3 etapas (avaliação curricular, prova teórica escrita e prova oral). Somente quem passar nessas três avaliações tem seu título de especialista liberado pela SBCP.

O cirurgião plástico de boa formação tem habilidade para tratar tanto a parte estética quanto a reconstrutora.

Os tratamentos estéticos são mais conhecidos pela população e perfazem desde cirurgias das mamas, do abdome, lipoaspiração, rejuvenescimento facial, blefaroplastias, rinoplastias, procedimentos minimamente invasivos (toxina botulínica, preenchimentos, fios de sustentação, peelings, lasers).

As cirurgias reconstrutoras incluem cirurgias para o tratamento de pacientes com grande emagrecimento, reconstrução das mamas após mastectomias, tratamento de sequelas de queimaduras, de tumores de pele, de úlceras de pressão, mal formações genéticas da face, fissuras lábio-palatinas, mal formações das mãos, cirurgias ortognáticas, traumas de face, mudança de sexo, dentre outras tantas aplicações.

Como no escândalo da carne fraca, estamos vivenciando diversos escândalos em nossa área.

Estudos feitos pela SBCP apontam que mais de 90% dos processos jurídicos que envolvem cirurgias plásticas foram, na realidade, realizados por pessoas que não passaram pelos processos de seleção e aprendizado citados anteriormente, ou seja, não estão habilitados pela SBCP a atuarem como cirurgiões plásticos. Além disso, vemos diversos casos de complicações graves relacionadas a procedimentos realizados por pessoas de outras áreas, não médicos, que aprendem em cursos de final de semana a aplicação de toxina botulínica e preenchimentos, sem contudo haver o profundo conhecimento dos materiais usados, da anatomia da região e das possíveis complicações dos procedimentos.

Todos esses fatores mancham uma especialidade tão nobre cuja a premissa é reconstruir, ou seja, dar melhor forma e função à área tratada.

Por isso, ao optar por realizar algum procedimento seja estético ou reconstrutivo, pesquise se seu cirurgião é habilitado para te atender da melhor forma possível.

Sobre o autor

Bárbara Brandão

Drª Bárbara Brandão de Barros é membro especialista em Cirurgia Plástica pela SBCP - CRM 51902.

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