Tecnologia

Vida nas Nuvens

Escrito por Sandro Mollica

O byte é uma das menores unidades de medida usadas na tecnologia da informação. Um byte são oito bits em código binário. Um byte é a quantidade de memória necessária para armazenar um dígito ou caracter, uma letra, um número ou um símbolo. Cada símbolo que você lerá aqui, incluindo os espaços, é um “byte” usado pelo seu computador, logo, este parágrafo inteiro tem (ou ocupa) 388 bytes.

É a partir do byte que derivam todas as outras medidas que a maioria das pessoas conhece, como o kilobyte (ou Kbyte) e o megabyte (ou Mbyte). Tudo que criamos no mundo digital – textos, fotos, músicas ou filmes – é armazenado em conjuntos de bytes. Quando você posta uma foto ou faz um comentário no Facebook, você está enviando um conjunto de bytes para ser armazenado nos computadores do Zuckerberg. O byte é a maneira que usamos para guardar digitalmente nossas palavras, nossas imagens, nossas ideias, nossos sentimentos e nossos sonhos.

Mas o que isso quer dizer? Bem, segundo um estudo do IDC “IDC`s Digital Universe Study”, do início da era tecnológica até 2005, nós, humanos, criamos algo perto de 130 exabytes de dados (um exabyte são 1024 petabytes, que por sua vez são 1024 terabytes, que então são 1024 gigabytes, que são 1024 megabytes, que quase todo mundo sabe o que é). É um número muito, muito grande.

Mas nós não paramos, os 130 exabytes de 2005 viraram 1.200 em 2010. Até o final de 2015 já eram 7.900 exabytes e em 2020 serão 45.000 exabytes (ou 44 zettabytes). O crescimento é exponencial.

E de que tamanho é isso?

Um livro comum, mediano, ocupa mais ou menos um Megabyte.
Um Gigabyte é suficiente para armazenar todo o genoma humano.
Em um Terabyte você poderia guardar um filme sobre a sua vida, que registraria cada segundo vivido desde o seu nascimento até 5 anos depois de se aposentar pela proposta da reforma da previdência, ou seja, 70 anos de imagens ininterruptas em HD.

Segundo a wikipedia, existem cerca de 700 bilhões de árvores na floresta amazônica. Se decidíssemos transformar a floresta em um imenso estacionamento, usar todas estas árvores para fazer papel de carta e alguém os usasse para escrever a mais longa e tediosa carta da história, com 30 quatrilhões de páginas, essa carta ocuparia pouco menos de um petabyte de dados. Hoje, na Internet, nós produzimos o equivalente a quase três destas cartas todos os dias.

A cada minuto do dia, 400 horas de vídeo são publicadas no Youtube, 350.000 tweets são enviados, 220.000 fotos são postadas no Facebook, 840.000 arquivos são colocados no Dropbox. Neste mesmo tempo as pessoas baixam 86.000 horas de vídeo do Netflix, fazem 100.000 perguntas para a Siri e quase 70 milhões de palavras são traduzidas pelo Google. O Mundo se manifesta de forma digital, nunca antes o conhecimento do ser humano esteve tão disponível.

Nós nos colocamos nas nuvens de informação em números gigantes. Porém, mais que números gigantes, estes dados são nossas ideias, nossos pensamentos, nossas alegrias e angústias, nossas imagens, nossa arte, nossas paixões e medos, nossa ciência; nossa vida em código binário. Estes dados somos nós.

Mas que estamos fazendo com toda essa informação?

Sobre o autor

Sandro Mollica

Sandro Mollica é um mineiro do interior vivendo no Planalto Central, formado em Redes de Computadores e especialista em análise de dados na SphaeraData.com (www.sphaeradata.com). Apaixonado por matemática, fotografia e motocicletas

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